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sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Novo Encontro...

Olá "Velhinho",

Faz agora exactamente um ano que deixei de ter a tua companhia, nesta mesma hora, depois de longa mas calma e serena espera pelo inevitável... Estávamos lá os três, eu, a Rita e a Mãe, todos de mãos dadas e com a outra mão a segurar-te e a sentir o previsível, mas no entanto numa corrente de amor e carinho que sentíamos dentro de nós, cada qual com suas memórias e sentimentos por vezes contraditórios a pensar no que mais poderiamos ter feito para minimizar a tua dor e, um pouco egoísticamente a nossa.


Nessa 4ªFeira (dia de diálise) tive o mesmo pressentimento que tivera quando te ajudei a ir para o carro e fumámos juntos o último cigarro, tivémos a última conversa e te dei o último abraço... e telefonei para a Nefroclínica a dizer que não iria fazer hemodiálise mas só apenas no dia seguinte... tinha chegado a hora! Ainda hoje tenho a sensação de que com um pouco mais de preserverança e atitude teria conseguido que não tivesses desistido tão cedo, mas compreendi ao analisar melhor "aquela conversa" entre homens depois de uma noite de farra, um filho que mal sabia como se guiar a ouvir e a sentir o desabafo de um Pai já amargurado pela Vida madrasta que em ti e mim calhou em sorte, também por isso e numa conversa tão profunda que jamais alguém compreenderá como nós, foi talvez a gota de água num copo a transbordar, que consegui aceitar melhor que ninguém um destino que seria revelado a curto prazo, faz hoje um ano!!! Habituado às lides de hospital e um pouco como tu fui ver-te apenas quando achei e senti que devia, nunca por rotina mas para dizer "Estou aqui Pai e nunca me esqueço de ti!", a falar contigo, a pensar e por vezes um bocado perdido por nada poder fazer.

Passados doze meses, a minha Vida não mudou muito e sempre me vou lembrando por este ou outro motivo, das conversas que tínhamos, as lições que me deste e o exemplo que és ainda hoje e reconheço também como Pai que sou o tanto que consegui transportar de ti para o meu filhote, muito na vanguarda da sua própria idade mas com tanto ainda por aprender mas no caminho certo... só espero não ficar muito em falta e não desapontar e a tua força e sapiência muito me têm ajudado nessa tarefa... o que já nunca poderei dizer da minha pessoa! Em suma , a Vida vai correndo por si só e por vezes questiono-me qual será afinal o meu papel no Mundo, pois apesar de ter tanto para transmitir nada tenho como legado?
Tenho tanto para te dizer e tanto que gostava de voltar a conversar como fazíamos às vezes. Perdoa-me se não correspondi bem como filho (às vezes também penso nisso), no entanto tu nada deixás-te por fazer no que toca a deixar bem vincado o que é ser Pai, ser Homem e ser Mestre! Estejas onde estiveres de certeza que estás bem acompanhado e sucinto de que finalmente estás em Paz. Conto ter contigo um novo encontro, já que a saudade aperta e como tu dirias muito bem"A Morte é a única lotaria que nos sai a todos" e concerteza voltaremos a vernos. Por cá continuarei assim como todos os que te amam, a recordar-te e relembrando os óptimos momentos que connosco disfrutáste...

Amo-te muito Pai e sinto MUITO a tua falta!
Até amanhã, falaremos um pouco mais amanhã quando estivermos juntos...
CARPE DIEM!

terça-feira, 3 de junho de 2008

Saudade e Recordação...



Olá "Velhinho"!

E hoje seriam 64 anos... Lembras-te da canção dos Beatles que cantávamos os dois quando era pequenino? "When i'm 64" dizia tudo, para quem a conhece de cor como nós! Csantávamos no meio duma brincadeira de fim de semana, numa viagem interminável no velho BMW 2002 até o Algarve de férias, nas pescarias em Maiorca, sei lá...

Hoje penso que ainda preciso muito de ti, da tua opinião eloquente e racional, do teu conselho pensado e sincero sem rodeios, até de alguns avisos que por vezes tendo a esquecer embora só momentâneamente. É grande a saudade que tenho dos jantares a dois, no Pabe, no Blues,no Aquafortis e no Agostinho, em que tinhamos conversas engraçadas, de histórias de outros tempos, produtivas ao soltar o pensamento em debates sobre os mais variados temas, emotivas quando envolvia desabafos e críticas sobre o que mas pessoalmente nos preocupava, mas sempre num discurso calmo e lúcido (longe das galinhas) sobre a Vida e as suas dificuldades e algumas vezes passando pelo inevitável "quão semelhante acho teu fado ao meu quando os cotejo" que só nós dois compreendemos.

Sinceramente faço um esforço para tentar ser para o meu filho 1/10 do Pai que foste para mim. Depois de ter perdido os primeiros 10 anos da sua infância, tenho conseguido aproximar-me muito mais e acompanhá-lo sempre que possível, mas jamais poderei dar-lhe o que tu me deste, mas estou convencido que ele com toda a inteligência e sagacidade que tem vingará por si próprio pois tem os pés bens mais assentes que os meus, o que me facilita a tarefa visto só ter que lhe indicar o melhor caminho, já que facilmente o atravessa e descobre novas metas por si só.

De resto nada de novo ou de especial... as loucuras são as mesmas embora com uma conotação diferente. O facto de teres partido uniu-nos como à muito não estávamos, para estarmos cada vez mais isolados depois dum tempo(perdoa-me a sinceridade) de Pai passás-te a culto mórbido quando pessoalmente gosto mais de te recordar a cores do que em preto e branco, com toda a tua essência, postura, carisma, carácter, sobriedade e bom gosto aliados às alegrias e momentos gloriosos que tivémos a dois e em família.

Às vezes sento-me num café ou restaurante sózinho e penso em todas estas coisas, penso no que me dirias se estivesses à minha frente e se o teu olhar seria de avaliação, orgulho, reprovação, crítica???... mas como sempre teria por certo uma coisa... honestidade, das tuas palavras sentiria um apoio incondicional, depois de também tu me indicares o melhor caminho... que ainda hoje com quase 35 anos preciso, quando devia saber melhor! Mas como aprendi contigo, por mais vasto que seja o nosso conhecimento; "Só Sei que Nada Sei...", mas se estivesses agora comigo dirme-ias algo mais que nada nestte mundo louco a que nunca me adaptei como era meu dever e responsabilidade e tu foste quem mais tentou.

Hoje, mais uma vez e porque é o teu aniversário dou-te um grande ABRAÇO cheio de AMOR, forte e apertado nunca esquecendo o que foste, és e sempre serás para mim... PAI!
"...and you can tell everybody this is your song, it may be quiet simple but now that it's done, I hope you don't mind that I put it down in words... How wonderful life is while you're in the world!"
CARPE DIEM!